Memória Viva de Barão Geraldo
Do café da Fazenda Santa Genebra aos trilhos da Funilense, da leiteria do Plínio Aveniente à Unicamp e à Praça do Coco. Cada verbete tem fonte e um ponto no mapa — e qualquer pessoa pode mandar foto, causo ou correção. Toda memória publicada sai com o nome de quem mandou.
O mapa da memória
Pinos marcados como aproximados ficam onde o lugar existia; alguns não existem mais.
Linha do tempo
- 1799-2003 · Fazenda Rio das Pedras
- 1870-1907 · Geraldo de Rezende, o barão que deu nome ao lugar
- 1849-1993 · Fazenda Santa Genebra
- 1880-1920 · Mesmo navio, mesma fazenda
- 1899 a 1960 · A Funilense, a mãe esquecida
- 1908 a 1926 · A Estação Barão Geraldo e o nome do bairro
- 1908-1926 · Como Barão virou Barão
- 1908 · O Mercadão de Campinas, ponta da Funilense
- c. 1909 a 1920 · Curiango e as colônias de sitiantes
- 1888 a 1928 · Os primeiros Vicentin: Ângelo e Antônia
- 1909 a 1956 · Plínio Aveniente e a leiteria
- c. 1910 em diante · O armazém ao lado da estação
- 1910-1918 · O primeiro loteamento da Rio das Pedras
- décadas de 1910 e 1920 · Vendo o trem passar
- fim do século 19 a 1940 · A Colônia Xadrez
- 1916-1922 · Antônio Páttaro e Páscoa Ferrari
- 1894 a 1976 · Luis Vicentin e a gleba entre a Estação e a Capela
- c. 1910 a 1970 · Os três campos de futebol do centro
- c. 1941 · A pintura em que o barão provavelmente não está
- 1935-1990 · Hélio Leonardi e a lista dos primeiros
- 1949 · Os primeiros loteamentos: o Arruamento Luis Vicentin
- 1953 · Barão vira distrito
- 1958 · Avenida Albino José Barbosa de Oliveira
- 1960 a 1968 · O último trem
- c. 1920 a 1963 · Da Capela à Matriz de Santa Isabel
- 1960-1966 · A Unicamp chega
- 1970 a 1978 · A troca de terrenos do Salão Paroquial
- 1985 · Mata Santa Genebra
- 1960-1993 · A lenda do Boi Falô
- 1998-2010 · Parque Ecológico Hermógenes e o Parque Linear
- CNPEM · Laboratório Nacional de Luz Síncrotron
- 1920-2020 · Os cem anos de Barão
- hoje · Praça do Coco
Lugares
Fazenda Rio das Pedras
A outra fazenda grande de Barão. Foi sendo vendida aos pedaços e virou boa parte dos bairros do distrito. O casarão é tombado desde 2003.
Fazenda Santa Genebra
Antes de se chamar Santa Genebra, era a Fazenda Morro Grande. Foi de cana, depois de café. Na mão de Geraldo de Rezende ganhou máquinas modernas e colonos europeus.
A Estação Barão Geraldo e o nome do bairro
Até 1908 o ponto de parada se chamava chave Santa Genebra. Com a reforma da Funilense ganhou o nome do barão, morto no ano anterior. O prédio que ainda existe é de 1926.
O Mercadão de Campinas, ponta da Funilense
O Mercadão foi inaugurado em 12 de abril de 1908 junto com a Funilense reformada, e servia de estação inicial da linha. Foi nessa reinauguração que a parada da Santa Genebra virou Barão Geraldo.
Curiango e as colônias de sitiantes
Além da Colônia Xadrez, Barão nasceu também de colônias de sitiantes ao norte, como Quilombo e Curiango, perto da Fazenda São Francisco da Barra.
O armazém ao lado da estação
Construído pela Fazenda Santa Genebra por volta de 1910, o armazém passou de mão em mão e já foi venda, escola, salão de baile, cinema e cartório.
A Colônia Xadrez
Colônia de trabalhadores do cafezal plantado em xadrez na Fazenda Rio das Pedras. Para Warney Smith é a principal raiz de Barão Geraldo, anterior à própria estação.
Os três campos de futebol do centro
A vila cresceu em volta de um campo de futebol. O primeiro ficava em frente à estação, o segundo onde hoje é a Rua Horácio Leonardi e o terceiro em frente à nova Matriz.
Avenida Albino José Barbosa de Oliveira
Era a Estrada dos Fazendeiros, depois Estrada da Rhodia. Hoje é a avenida que corta o centro de Barão.
Da Capela à Matriz de Santa Isabel
A Capela de Santa Isabel, perto da estação, juntava o povo nas missas de domingo. A nova igreja, de campanha começada no fim dos anos 1950, abriu em 1963 em terreno doado por Luis Vicentin.
A Unicamp chega
Moradores pediram que a universidade ficasse nas terras da Rio das Pedras. Saiu uma doação de 30 alqueires, oficializada por um cruzeiro, e a pedra fundamental em 1966.
Mata Santa Genebra
Pedaço de Mata Atlântica com 251,77 hectares na divisa com Paulínia. Virou ARIE em 1985.
Parque Ecológico Hermógenes e o Parque Linear
Um lago feito no tempo dos loteamentos da Rio das Pedras virou o parque das caminhadas. Pelo ribeirão, a prefeitura montou um parque linear com ciclovia.
Laboratório Nacional de Luz Síncrotron
O acelerador de partículas do CNPEM fica em Barão. A Wikipédia o descreve como o único do hemisfério sul.
Praça do Coco
Praça do centro de Barão, ao lado da Vila Ninoca. É onde a Feira de Barão acontece aos sábados e domingos.
Pessoas e famílias
Geraldo de Rezende, o barão que deu nome ao lugar
Fazendeiro da Santa Genebra e um dos diretores da Estrada de Ferro Funilense. Morreu em 1907, antes de existir a vila que leva o título dele.
Mesmo navio, mesma fazenda
Nas entrevistas com filhos e netos dos pioneiros, a história se repete: as famílias se conheceram no navio ou na fazenda, e foram se casando entre si.
Os primeiros Vicentin: Ângelo e Antônia
Ângelo Visentin e Antônia Vancin vieram de Treviso em 1888, voltaram para a Itália, vieram de novo e em 1909 compraram um sítio de mata na Fazenda Quilombo. São os pais de Luis Vicentin.
Plínio Aveniente e a leiteria
Italiano de Pisa, Plínio abriu uma venda perto da chave Santa Genebra por volta de 1909 e criou vacas no pasto que hoje é o centro de Barão. Depois vendeu a terra em pedaços, a prazo.
Antônio Páttaro e Páscoa Ferrari
Dois filhos de colonos da Fazenda da Serra que cresceram na lida do café e se casaram em Barão.
Luis Vicentin e a gleba entre a Estação e a Capela
Em 1926 Luis Vicentin comprou a melhor parte do pasto de Plínio Aveniente, entre a Estação e a Capela, para uma leiteria. Em 1949 loteou o sítio e depois doou o terreno da Matriz.
Hélio Leonardi e a lista dos primeiros
Juiz de paz, líder da comissão que brigou pelo distrito e dono de um caderno com os primeiros padeiro, barbeiro e açougueiro de Barão.
Causos
Vendo o trem passar
Ver o trem passar era programa de domingo. Os antigos moradores contaram ao autor do blog como era o trem da Funilense nos primeiros anos.
A pintura em que o barão provavelmente não está
Um quadro de Henrique Manzo rodou pelo WhatsApp como retrato da família do barão. Warney Smith acha que o homem de chapéu é outra pessoa.
O último trem
Em 1962 Eugênio Martins fotografou o que chamou de 'último trem', parado ao lado da igreja. Anos depois tirou outra foto do mesmo ângulo, já sem trilho e com carros passando.
A troca de terrenos do Salão Paroquial
Modesto Fernandes doou um terreno para o Salão Paroquial, mas a paróquia preferiu construir no campo em frente à igreja. A troca nunca foi registrada, e o terreno de Modesto acabou virando a Praça Durval Páttaro.
A lenda do Boi Falô
Numa Sexta-feira Santa, um boi da Santa Genebra teria se recusado a levantar e falado. A lenda tem várias versões e virou festa com macarronada.
Mural da Memória
“No 22 Barão era um deserto! Só uma chave com uma guarita, 2 ou 3 vendas”
— Humberto Barbieri, segundo o blog História de Barão Geraldo, sobre 1922, em entrevista ao autor · fonte
“Oito horas ele subia e no começo da noite ele voltava”
— Amyr Moda, segundo o blog História de Barão Geraldo, sobre o trem por volta de 1918 · fonte
“A gente varria, fazia montinhos, abanava, ensacava e colocava na carroça”
— Antônio Páttaro, segundo o blog História de Barão Geraldo, sobre a colheita na Colônia Xadrez, anos 1920 · fonte
“A terra era muito ruim. Não produzia. Dava muito pouco.”
— Humberto Barbieri, segundo o blog História de Barão Geraldo, sobre o Xadrez em 1922, entrevista de 1992 · fonte
“Lembro sempre que ele ia buscar água na bica da Areia Molhada”
— Plínio Aveniente Jr., segundo o blog História de Barão Geraldo, lembrança do pai, entrevista de 1992 · fonte
“Vieram todos meio parentes, unidos!”
— Rosa Pacci, entrevista gravada para o Centro de Memória da Unicamp, 1992 · fonte
“Aquela que pagava melhor eles iam.”
— Páscoa Ferrari Páttaro, entrevista a Warney Smith, 1992-1995 · fonte
“A terra era muito ruim. Não produzia. Dava muito pouco.”
— Humberto Barbieri, entrevista a Warney Smith, 1992 · fonte
“Era um lugar perdido, com muito mato e capim catingueiro.”
— Giuseppe Soprano, lembrado pela filha Rosa Pacci, sobre o sítio comprado em 1918; relato gravado em 1992 · fonte