Mesmo navio, mesma fazenda
Nas entrevistas com filhos e netos dos pioneiros, a história se repete: as famílias se conheceram no navio ou na fazenda, e foram se casando entre si.
Warney Smith gravou histórias de vida com 22 dos baronenses mais velhos entre 1992 e 1995. Uma frase volta sempre: os pais e avós vieram no mesmo navio, da Itália ou do Líbano, ou se conheceram trabalhando na mesma fazenda. Daí saiu o cruzamento de sobrenomes que formou Barão. Burato, Vicentin, Leonardi, Páttaro, Ferrari e Pacci se misturaram com portugueses como os Antunes e os Martins, com libaneses como os Mokarzel e os Mussi, e com brasileiros, a maioria descendentes de escravizados.
Os relatos da vida nas fazendas falam de trabalho pesado, desconto no salário e promessa descumprida. O jeito de resistir era mudar de fazenda, às vezes no meio da noite. O objetivo era juntar dinheiro para um sítio próprio.
Nicolau e Rosa Pacci são um exemplo. Os avós dele e o pai dela, José Soprano, vieram juntos no mesmo navio e foram para as fazendas Quirera e Capivari. Rosa contou que a sogra foi madrinha de batismo dela, muito antes de alguém pensar em casamento. Seu Amyr Moda também contou que avós e pais vieram todos no mesmo navio, de Rovigo até Campinas.
As fotos de 1880 do Fundo da Princesa Isabel mostram colonos trabalhando no terreiro de café em frente ao sobrado da Santa Genebra.
Fontes
- “Mesmo navio / Mesma fazenda”: os imigrantes, antes da formação de Barão — Warney Smith
- Barão Geraldo — Wikipédia