Pular para o conteúdo
1880-1920

Mesmo navio, mesma fazenda

Nas entrevistas com filhos e netos dos pioneiros, a história se repete: as famílias se conheceram no navio ou na fazenda, e foram se casando entre si.

Imigrantes no terreiro de café em frente ao sobrado da Fazenda Santa Genebra, 1880.
Imigrantes no terreiro de café em frente ao sobrado da Fazenda Santa Genebra, 1880. · Fundo Princesa Isabel, Biblioteca Nacional. Publicada por Warney Smith no blog História de Barão Geraldo.

Warney Smith gravou histórias de vida com 22 dos baronenses mais velhos entre 1992 e 1995. Uma frase volta sempre: os pais e avós vieram no mesmo navio, da Itália ou do Líbano, ou se conheceram trabalhando na mesma fazenda. Daí saiu o cruzamento de sobrenomes que formou Barão. Burato, Vicentin, Leonardi, Páttaro, Ferrari e Pacci se misturaram com portugueses como os Antunes e os Martins, com libaneses como os Mokarzel e os Mussi, e com brasileiros, a maioria descendentes de escravizados.

Os relatos da vida nas fazendas falam de trabalho pesado, desconto no salário e promessa descumprida. O jeito de resistir era mudar de fazenda, às vezes no meio da noite. O objetivo era juntar dinheiro para um sítio próprio.

Nicolau e Rosa Pacci são um exemplo. Os avós dele e o pai dela, José Soprano, vieram juntos no mesmo navio e foram para as fazendas Quirera e Capivari. Rosa contou que a sogra foi madrinha de batismo dela, muito antes de alguém pensar em casamento. Seu Amyr Moda também contou que avós e pais vieram todos no mesmo navio, de Rovigo até Campinas.

As fotos de 1880 do Fundo da Princesa Isabel mostram colonos trabalhando no terreiro de café em frente ao sobrado da Santa Genebra.

Fontes

Tem foto ou correção sobre isto? Mande no WhatsApp

Veja também

Antônio Páttaro e Maria Pascoalina Ferrari Páttaro no dia do casamento.
1916-1922

Antônio Páttaro e Páscoa Ferrari

Dois filhos de colonos da Fazenda da Serra que cresceram na lida do café e se casaram em Barão.